🌍 EC REP & Operadores econômicos

Distribuidor MDR: novas obrigações, verificações e rastreabilidade

Verificar a marcação CE, o idioma das instruções e o registo UDI condiciona toda a disponibilização. A rastreabilidade mantém-se 5 anos, 10 para os implantáveis, e o co-branding transforma o distribuidor em fabricante.

8 min de leitura

O distribuidor é definido pelo Artigo 2(34) do MDR como qualquer pessoa singular ou coletiva na cadeia de fornecimento, distinta do fabricante ou do importador, que disponibiliza um dispositivo no mercado até à fase de colocação em serviço. O Artigo 14 do MDR impõe-lhe obrigações muito mais precisas do que aquelas previstas pela diretiva 93/42/CEE.

As verificações obrigatórias antes da disponibilização

Antes de disponibilizar um dispositivo, o distribuidor deve verificar que o dispositivo possui a marcação CE e está acompanhado da declaração de conformidade UE. Deve verificar que a rotulagem e as IFU estão na língua oficial do Estado-Membro onde o dispositivo é disponibilizado. Deve verificar que o fabricante e o importador cumpriram as suas obrigações de registo (UDI, EUDAMED).

Se o distribuidor constatar que o dispositivo não está conforme, não pode disponibilizá-lo. Deve informar o fabricante, o importador e, se uma não conformidade representar um risco, a autoridade competente.

As obrigações de rastreabilidade

O distribuidor deve conservar as informações que permitam identificar o fabricante, o importador, os dispositivos fornecidos e os compradores profissionais a jusante da cadeia. Esta rastreabilidade deve ser mantida durante 5 anos (10 anos para os dispositivos implantáveis).

Na prática, isto significa um registo de compras e vendas por referência e por lote, conservado durante o período exigido.

O risco de requalificação como fabricante

Este é o ponto que muitos distribuidores ignoram, com consequências potencialmente graves. Se um distribuidor modificar um dispositivo de uma forma que possa afetar a sua conformidade, reembalar um dispositivo estéril alterando a sua embalagem primária, ou apor a sua própria marca comercial num dispositivo sem mencionar o nome do fabricante original, é considerado fabricante na aceção do MDR.

Esta requalificação acarreta o conjunto das obrigações do fabricante: documentação técnica, declaração de conformidade, marcação CE, SGQ, PMS, vigilância, PRRC. Há distribuidores que se encontram nesta situação sem a terem antecipado, nomeadamente aqueles que praticam o co-branding ou a reembalagem.

Fonte regulamentar: Artigo 14 do Regulamento (UE) 2017/745 — EUR-Lex

Temas abordados:

distribuidor MDR Artigo 14 MDR obrigações do distribuidor de dispositivo médico